quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Escrever
Escrevo muitas coisas no meu caderno. NA verdade, sempre fui de escrever muitas coisas. Especialmente aquelas que não posso dizer em pessoa. Tudo começou quando ainda nem sabia ler nem escrever. Registrava tudo em cores e formas que só eu entendia. Era uma mistura exagerada de formas geométricas com uma certa visão distorcida da realidade, talvez pela hipermetropia, talvez por vontade própria de ver um mundo que ninguém mais era capaz de ver.
Até que aprendi a ler e a escrever. E o que era uma tarefa complicada e absolutamente imposta pela professora ou por meus pais, passou a ser um dos recreios mais deliciosos que encontrei na vida. Registrar em palavras em uma sequência que só eu poderia entender. Gostava do formato da minha letra, do cansaço que escrever produzia em minha mão. Cheguei até a escrever com as duas mãos para comparar o formato da letra e o resultado final que poderia representar escrever com duas mãos, mesmo sendo canhota.
Mas esse prazer de escrever durou pouco, eu diria. Já na minha adolescência ganhei uma máquina de escrever e passei a registrar durante horas meus pensamentos e ideias datilografando apenas com quatro dedos em uma velocidade quase constante. Esse prazer de escutar o som da máquina também durou pouco. Em poucos anos ganhei meu primeiro computador e o que era uma certa sinfonia escrever, passou a ser um hobby silencioso e ágil
Nunca vou me esquecer que o advento de tão agraciada máquina trouxe para meu mundo silencioso e introspectivo uma fascinante alegria e diversidade jamais antes pensando. Encontrei outros mundo parecidos ao meu, outras culturas, diversidade e silêncios que jamais esquecerei. Passaram-se então muitos anos e vários computadores, mas a magia de descobrir esse mundo silencioso e internético ainda persiste. Continuo fascinada com o quanto vou aprendendo do mundo afora e adentro.
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